Mas qual seria? Que deveria ele dizer aos seus súditos mocalenses no derradeiro momento de sua vida? Um conselho? Uma emprecação? Um pensamento famoso?
Na duvida-e como não lhe ocorresse uma ideia aproveitavel- mandou o rei Hibban chamar o seu talentoso secretario Salim Sady, homem de sua inteira confiança, e contou-lhe, pedindo-lhe absoluto segredo, o grande desejo de sua vaidade doentia:- Queria honrar a morte com uma frase que ficasse célebre, que se tornasse conhecida e repetida pelo mundo inteiro!
Depois de meditar algum tempo, o digno secretario respondeu:
_Conheço, ó Rei dos Reis!, um verso de Mazuk, o celebre poeta curdo, que é magistral! Se Vossa Majestade pronunciar esse verso em dialeto curdo, fará uma coisa original, nunca vista. Nem o incrivel Alexandre, nem os Cesares famosos tiveram essa ideia!
Ademais, o verso a que me refiro exprime um desejo nobre, um pensamento genial, digno de u verdadeiro rei.
_É bela e grandiosa a tua lembrança_ concordou o rei._É exatamente um verso emocionante que mais me agrada e que melhor poderá servir ao rei de Mocala. Mas qual é afinal o verso do grande Mazuk? Quero decora-lo.
E o inteligente Salim Sade, honrando a confiança do rei, ensinou ao bom monarca o verso magistral de Mazuk, o maior dos poetas do Afegalistão.
"Naib aq vast y harde nosteby katib", cuja tradução (declarou Sady) deveria ser mais ou menos o segunte: Esqueçam os meus erros, pois só errei com a intenção de acertar".
Guardou o rei Hibban de memoria o verso, repetindo-o mentalmente varias vezes.
E um dia, sentindo-se muito doente, mandou chamar seus conselheiros, vizires, cádis e todos os grandes dignitários do reino, e disse-lhes que ia pronunciar as últimas palavras e exprimir sua última vontade.
Erguendo-se no leito, trêmulo, macilento, exclamou bem alto, devagar, e solene, para que todos ouvissem:
''Naib aq vast y harde nosteby katib''.
E tão violenta foi a comoção daquele momento, que o vaidoso rei, ferido por uma síncope, morreu.
Aquela cena, de tão inesperado desfecho, impressionou profundamente a todos os presentes.
__Mas o que tinha dito o rei Hibban?__perguntaram uns aos outros os cortesãos, pois ninguém no ppalácio conhecia o complicado dialeto curdo.
Dez escribas haviam registrado, palavra por palavra, a última frase do rei. A tradução feita, pouco depois, pelos doutores mais ilustres de Mocala caiu como uma bomba no meio da nobreza e repercutiu com estrondo pelos salões repletos de muçulmanos.
Que teria dito o rei de Mocala ao morrer?
A extraordinária verdade foi logo conhecida no país e puderam todos verificar, com assombro, que o pderoso rei Hibban, senhor de Mocala, havia dito, apenas, o seguinte:
__Dê tudo o que tenho para o meu bom secretário!
sábado, 12 de dezembro de 2009
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